O tempo flui... Como uma cascata rápida e prateada de uma substância desconhecida, o tempo flui.
Na parede da sua casa, um dos ponteiros do relógio avança compassadamente, fazendo um barulho seco e desagradável, como se me avisasse da efemeridade do momento e como se me aconselhasse a desistir, a ir, a prosseguir com a minha vida. Mas não... Como posso continuar com a minha vida, estúpido relógio, se ela a levou comigo?
Por isso aguardo na casa dela. E é o que tenho feito... aqui tenho estado; vim quando o pó ainda não se tinha instalado em todos os recantos e quando a sua casa ainda tinha cor, ainda tinha um pouco de ti. No entanto, parece que tudo se foi...
Não consigo deixar de te odiar, solitário som do ponteiro, que ressoas nos três andares vazios e escuros desta casa, como também não consigo deixar de te amar, pois a tua presença em mim e tua memória vai-me dando forças para ir aguentando. E já não sei a quem me dirijo... Mas ela já não deve tardar. Só ela me dará finalmente paz.










